The Cats – O Famoso Musical

Confesso que não sou de musicais, não é um género que me atraia, até se costuma comentar a dificuldade de encontrar bons atores que cantem, dancem e consigam sustentar a representação. No entanto, isto é tudo o que não podem esperar deste espetáculo.

Como prenda de natal recebi um bilhete para assistir ao The Cats, o famoso musical passou pelas cidades de Lisboa e Porto numa digressão internacional que celebrava o seu 41ª aniversário, desde a sua estreia no West Wend em Londres.

Conhecia a história por alto, também não sou cat person e toda a narrativa é em redor de gatos e das suas diversas personalidades, que reconheço já ter observado algumas.

É um espetáculo extremamente exigente a nível físico e o que mais apreciei foi a corporalidade dos atores, conseguimos observar os gatos na sua forma animalesca mais crua, de quatro apoios, com a ondulação que os caracteriza, mas a verdadeira beleza deste trabalho é quando vão à posição vertical e não perdem a fisicalidade do animal. Mesmo quando estão em personagem e são gatos específicos conseguimos verificar as camadas de construção, desde o peso, à forma de andar e de se comportar enquanto felino. Isto não só demonstra a investigação dos atores na observação do animal, como todas as características dos gatos na posição vertical enriquecem a fisicalidade das personagens, tornando-as únicas. Durante essa transformação física são apresentados paralelismos dos gatos com os humanos e é incrível perceber que enquanto pessoas temos muitas traços animais.

As alternativas de construir ambientes sem mudar de cenário, foram de uma inteligência e de uma delicadeza notórias. Principalmente quando constroem um comboio através de objetos tão simples como um guarda-chuva, uma lanterna, duas fitas laterais, duas rodas gigantes e uma espécie de jerricã. Todos estes elementos já estavam presentes em palco e misturavam-se com o cenário, desde início.

Contudo há algumas coisas que não correram tão bem, a arquitetura das salas inglesas é diferente das portuguesas e este espetáculo não se adaptou de todo ao Pavilhão Rosa Mota. O cenário era escuro e todos os objetos e as texturas que apresentava, juntamente com os padrões e as cores dos figurinos perturbavam a perceção do que estava a acontecer. O público estava sentado muito longe do palco e a visibilidade era reduzida, quem estava nas laterais perdia metade do cenário e por consequência metade da ação, considero que não se deve vender bilhetes a todo o custo, apenas com o objetivo de esgotar uma sala, se queremos manter o público nas salas de espetáculo temos de lhes proporcionar momentos de qualidade, percebo que é um espetáculo internacional com poucas sessões, mas na minha opinião enquanto espectador, não faz sentido ir ao teatro se não o conseguir percecionar na sua totalidade.

Outro aspeto que me fez uma certa comichão, mas que é um pau de dois bicos, foram as legendas. Percebo a opção, por ser uma peça em inglês podia haver pessoas que sentissem necessidade de ter a tradução, mas foi uma distração! Por vezes apanhava-me a ler as legendas que estavam no ecrã e a perder o que estava a acontecer em palco, preferia que tivessem utilizado essas telas para preencher os ângulos mortos dos espectadores.

Para terminar, recomendo que vejam este musical, se tiverem oportunidade, é um trabalho de ator e de encenação fenomenal. A dica que vos dou é conhecerem antecipadamente a sala onde vão assistir, para escolherem o lugar que vos permita aproveitar o espetáculo na totalidade. Aproveito também para alertar quem não gosta de ter contacto com atores durante as peças, não escolham a primeira fila e evitem ficar nas pontas (dependendo da sala claro) porque os gatos andam à solta.

Se foram assistir ao espetáculo deixem-me conhecer a vossa opinião.

Até ao próximo momento de

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