A história de A profeta, como diz a citação de João Tordo na capa do livro, é “intrigante”. Aborda temas polémicos como, a religião, o limiar entre o bem e o mal, e o poder das palavras. Mas que certamente nos fazem questionar, enquanto seres humanos, as nossas perspetivas à cerca destes temas.
Quero desde já explicar-vos o título que dei a esta publicação. Ao ler este livro, fui estabelecendo uma relação entre a Mariana (personagem principal) e a família de Catarinas da peça Catarina e a Beleza de Matar Fascistas. São obras diferentes e histórias completamente distintas mas ambas colocam em cima da mesa uma pergunta “Há lugar para a violência na luta por um mundo melhor?”.
É fácil julgar à partida estas personagens, afirmar que são desprezíveis e que não gostamos delas. No entanto, eu adorei a Mariana, não a rotulei como vilã, até porque considero que a autora trabalhou muito bem este conflito entre as ações que são consideradas deploráveis e o motivo porque a personagem as realiza. Gostava de conhecer mais sobre a história de vida dela antes de chegar à sua missão. Mesmo tendo conhecimento do que lhe aconteceu, faltou-me um capítulo com a história desse acontecimento, pelo menos do momento em que ela percebeu de verdade o que lhe aconteceu.
Não a estou a desculpar, se concordo com as ações dela? Não! Mas aquele acontecimento certamente contribuiu para que ela visse o mundo desta forma tão específica e isso cria uma certa empatia entre os leitores e a Mariana, ninguém consegue ficar indiferente. Não há pessoas 100% boas nem 100% más e posso afirmar que já ouvi muita gente discursar como a Mariana, a diferença é que não concretizam as suas ideias, nem têm um frasquinho de veneno indetetável sempre à mão. Assim como na peça Catarina e a beleza de matar fascistas, a família de Catarinas tinha a tradição de matar para que um dia, quando os fascistas fossem exterminados, o mundo se pudesse tornar num lugar melhor, afirmavam que matavam pelos seus ideais, considero que o raciocínio da Mariana é parecido.
“Tenho receio de não ser suficiente, de não dar o suficiente, de não encontrar um lugar no mundo para quem eu trouxer e que esse ser acabe, assim como eu… deslocado. A lutar por uma missão e por um mundo melhor.”
Mariana – A Profeta
Só para terminar, não vejo esta personagem como alguém com falta de empatia, mesmo que isto seja afirmado no livro, nem a considero totalmente insensível, é a única pessoa que se disponibiliza a ouvir alguém que é, por norma, ignorado pela sociedade, esse foi outro aspeto que me agradou na sua construção e que contribuiu para a riqueza de dualidades apresentadas.
Quanto mais lemos mais conseguimos levantar o véu do óbvio e perceber que ela vai apresentando emoções das quais se alimenta para justificar a sua mensagem. O poder da argumentação e a forma como é utilizada torna-se um empurrão para as pessoas com quem se cruza ganharem coragem para concretizar o que já desejam à muito tempo, normalmente vingança disfarçada pela palavra “justiça”. Estabelecendo uma analogia, é quase o diabinho nos ombros dessas diversas pessoas.
Gostei bastante da premissa do livro e ainda mais das personagens que se iam encontrando com a Mariana no seu caminho, figuras que a sociedade tende a evitar, mas que são as ideais para a missão de A Profeta.
Se já leram este livro partilhem as vossas opiniões connosco, se nunca leram espero que tenham ficado com vontade!
Até ao próximo momento de


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