Educar NÃO é ocultar!

Se há tema que me anda realmente a irritar é este! O que é que passa na cabeça de alguém para reescrever livros???

Vamos começar pelo início! Caso não percebam ao que me refiro, que eu duvido, anda na moda reescrever livros de autores como Roald Dahl, Agatha Christie e Ian Fleming. O motivo da reescrição vai desde a utilização de linguagem insultuosa e ofensiva, à presença de descrições raciais ou com adjetivos pejorativos, entre outros. As novas edições vão passar por alterar palavras do texto e mudar ou retirar alguns pedaços da narrativa.

Como já devem ter percebido, sou completamente contra esta ideia absurda. Começamos a entrar num extremismo que vai na direção oposta à liberdade de expressão, voltamos à censura de obras pela utilização de linguagem ou conteúdo que consideramos inadequado, que nem foram escritos no nosso tempo. E vamos lá ver, alguém considera que educar os mais jovens é esconder o passado?

Se entrarmos por aí, qualquer dia não vamos ter referências ao cinema antigo, porque vamos refilmar as películas cujos argumentos tenham palavras ou expressões das quais não concordamos. Vamos, talvez, repintar quadros, ou retirá-los mesmo dos espaços museulógicos, podemos transformar o Louvre num museu de arte contemporânea. Parece ridículo? A mim também! Mas já estivemos mais longe.

Educar não é esconder, pelo contrário, educar passa por contextualizar, por ter consciência que existiu, que foi escrito num tempo diferente, por pessoas que viveram em realidades distintas. Explicar que atualmente está incorreto e não devemos repetir, mas que históricamente foram obras importantes. Para além de que estamos a ser hipócritas, os mais jovens jogam a torto e a direito videojogos violentos, de guerra, morte, mas não podem ler a palavra “gordo” ou “feio” numa história? Os livros dos Cinco são demasiado ofensivos e violentos?

Por favor… Se tudo isto não estivesse a acontecer na realidade, diria que era um bom sketch de comédia.

Na minha opinião, em vez de estarmos tão preocupados a substituir palavras, que podem ser utilizadas para fazer bullying a alguém, por outras com sentidos igualmente pejorativo (como substituir “gordo” por “enorme”, que no fundo vai dar ao mesmo) devíamos preocupar-nos com a taxa de leitura dos jovens atualmente. Talvez fosse melhor promover a leitura dos Cinco, mesmo com essa linguagem, por que ao menos liam alguma coisa, do que estarmos preocupados em esconder os livros porque podem conter palavras ou expressões que estão facilmente acessíveis na vida das crianças: nos jogos, na internet, nas redes sociais, em todo o lado!

Devíamos focar as nossas energias no que realmente interessa, educar os jovens e consciencializá-los de algumas situações. Se querem realmente abordar a questão da linguagem ofensiva, um bom exemplo foi o que a Disney fez nos seus filmes, antes da película começar apresentam avisos sobre a linguagem ou as temáticas abordadas. Por isso, se o debate passa por educar as gerações mais novas, acrescentem nos livros uma página que contextualiza a obra literária: seja o ano, o acontecimento que lhe deu origem, tudo o que seja informação importante para o leitor compreender que o que está a ler tem uma razão de ser.

We can’t change the past, but we can acknowledge it, learn from it and move forward together to create a tomorrow that today can only dream of.

The Walt Disney Company

Apagar o passado e transformar obras literárias não vai educar ninguém, desenganem-se! Se continuarmos a ter vergonha da história, em vez de apreendermos com ela, a probabilidade de cairmos no mesmo erro é grande.

Deixem-me conhecer a vossa opinião sobre este tema.

Até ao próximo momento de,

Respostas

  1. Avatar de joanamargaridaramos

    Concordo em absoluto. Olhamos para o passado com repulsa pelas ditaduras e sencuras e assistimos agora ao mesmo.. á naturalidade com que começa a acontecer outra vez .. como é fácil… Espero que os que reconheçam o absurdo se manifestem muito.. espero que não deixemos voltar a acontecer

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    1. Avatar de Carolina Pina

      Sim a facilidade com que o ciclo se repete é assustadora, de alguma forma não estamos a conseguir aprender com a história. Se continuarmos a tentar apagá-la sem refletirmos sobre ela e aprendermos com os acontecimentos, não vamos alterar este ciclo.

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