Em 2004 a cidade pacata de Linköping na Suécia, foi abalada por um duplo homicídio, que demoraria 16 anos a resolver-se. A minissérie sueca de apenas 4 episódios, dirigida por Lisa Siwe estreou este ano na Netflix.
“A Grande Descoberta”, mergulha num dos crimes mais intrigantes da história da Suécia e na segunda maior investigação criminal realizada no país. Baseada em eventos reais, a produção acompanha a demorada e obsessiva investigação das autoridades para encontrar o responsável destes crimes, um processo que se estendeu até os avanços da genealogia genética forense apresentar uma possível resolução ao caso.
Enquadrado no género Nordic Noir, a série apresenta-se minimalista, com atuações realistas que focam a sua atenção tanto nos factos do crime como no ato de contemplação do policial e da comunidade da cidade sueca, empregando um ritmo lento à narrativa. Lisa Siwe constrói uma atmosfera contemplativa, com utilização de tons frios, como o azul e o verde, que reforçam a sensação de isolamento e falta de esperança que permeia toda a trama. A trilha sonora é discreta, presenteando os silêncios que adicionam uma camada de tensão no espectador.
Considero que Peter Eggers fez um bom trabalho na construção da personagem, o detetive John Sundin, foi o primeiro contacto que tive com o trabalho deste ator mas gostei da sua performance. Uma personagem que exibe o lado do profissional, o investigador, sem esquecer o lado obsessivo e melancólico do caso que lhe mudou a vida.
PS: Só encontrei este trailer com legendas em espanhol. Os restantes não tinham quaisquer legendas e como é uma série em sueco optei por escolher este.
Não posso deixar de referir a importância de assistirmos filmes e séries de outras culturas, é interessante perceber como funcionam. Portugal é considerado um país seguro, mas penso que um crime deste género não teria este impacto e dificilmente seria mantido em investigação durante tantos anos, investindo recursos pessoais e financeiros, quando já nada previa que encontrassem o suspeito. Aliás a forma como a investigação foi conduzida desde o início também apresenta métodos e raciocínios distintos.
Gostei, mas não adorei. Foi o meu primeiro contacto com trabalhos da diretora sueca, tenho consciência que o ritmo lento e a barreira linguística não ajudam o espectador português a manter-se atento. Apesar disso, considero que a série oferece uma boa imagem da sociedade sueca e de como lida com um evento trágico como este.
Até ao próximo momento de,


Deixe um comentário